SÃO PAULO (Jornal DCI) – Experiências internacionais bem-sucedidas e taxas de ocupação dos quartos próximas a 100% têm despertado a atenção de empresários
Roberto Dumke
foto: Divulgação

Os dois grupos conquistaram praticamente todos os projetos recentes em aeroportos. AGJP Hotéis & Resorts venceu quatro licitações da estatal Infraero, enquanto a VCI levou três concorrências em aeroportos concedidos à iniciativa privada.
No caso da GJP, há um hotel em operação no Galeão, no Rio, e mais três em construção. O próxima a abrir será o do Santos Dumont, que deve ficar pronto para os Jogos Olímpicos de 2016. Em seguida, serão abertas as estruturas de Vitória (ES) e Confins (MG).
A VCI Holding está com projetos para dois hotéis no aeroporto de Guarulhos e outro em Viracopos, mas nenhum ficará pronto para a Copa. Os três levam a bandeira Wyndham. “O aeroporto é uma conta muito vantajosa por causa da ocupação acima de 100%”, diz o executivo-chefe da VCI, Samuel Sicchierolli. Ele afirma que “fez bons negócios” e planeja expandir a atuação nos aeroportos. “Estamos participando de mais quatro processos de concorrência”, disse ao DCI. Em dois deles, haveria mais interesse porque envolvem aeroportos já concedidos à iniciativa privadas.
Sicchierolli afirmou também que já teve conversas preliminares com as concessionárias dos aeroportos do Galeão (RJ), Confins (MG) e Brasília (DF). “Nesse mercado todo mundo acaba se conhecendo. Eles demonstraram interesse em saber como os projetos de Guarulhos e Viracopos foram feitos”, disse o executivo.
Outro executivo do setor que constata o aquecimento no ramo de hotéis de aeroporto é o vice-presidente da consultoria Jones Lang LaSalle, Ricardo Mader. “Nos últimos tempos temos feitos vários projetos nesse sentido.” Além de se beneficiar dos públicos de tripulações das companhias de aviação e passageiros, ele afirma que as estruturas ganham relevância na medida em que os aeroportos viram centros de negócios. “É uma tendência mundial criar esses centros.”
Já a sócia-diretora da consultoria Mapie, Carolina de Haro, vê o cenário brasileiro com mais parcimônia. “Aqui é até um pouco atípico. Nem todos os aeroportos são relevantes. Depende do fluxo de passageiros. Mas internacionalmente, este tipo de hotel é bem ocupado.”
Curitiba e Porto Alegre
Tendo em vista a atratividade dos hotéis de aeroportos, a Infraero vem planejando uma série de licitações. Ontem (10) e hoje (11), inclusive, foram abertos processos de concorrência para o Salgado Filho, em Porto Alegre, e o curitibano Afonso Pena, respectivamente. “O projeto de explorar áreas externas dos aeroportos é antigo, mas está acelerando”, disse o diretor-comercial da Infraero, André Luís Marques de Barros.
A estatal está avaliando projetos para hotéis inclusive em aeroportos de menor movimentação de passageiros. A Infraero antecipou ao DCI que para setembro e outubro estão planejadas concorrências para Belém (PA), São Luís (MA), Marabá (PA), Joinville (SC) e Salvador (BA).
Para o diretor-comercial, mesmo em aeroportos menores os hotéis podem ser viáveis na medida em que atendem à demanda da própria cidade, e não apenas do tráfego aeroportuário. Ele também afirma que a estatal “está aberta para que empresários tragam novas propostas”, ou ainda para adaptar os projetos.
Guarulhos
Mesmo com os dois novos hotéis previstos para o aeroporto de Guarulhos, que somam 350 quartos, a expectativa dos empreendimentos da região segue positiva. O gerente do Fast Sleep, Leandro Brandão, diz que não deve haver muita interferência porque os produtos em questão são diferentes. O hotel, único em operação no aeroporto paulista, trabalha com 56 cabines, que podem ser alugadas por hora. Hoje, ele diz que a estrutura opera com taxa de ocupação em torno de 70%. “Estamos muito satisfeitos.”
Para o São Paulo Airport Marriott Hotel, que fica logo ao lado do aeroporto de Cumbica, há inclusive expectativas de aumento no número de hóspedes. Apesar dos novos hotéis, “a estimativa é que nos próximos três ou quatro anos o fluxo de passageiros dobre com o novo terminal”, disse o gerente-geral João Paulo Berger.
Outra característica dos hotéis aeroportuários, diz Berger, é que há alta na ocupação em períodos de pico de demanda, como feriados ou a própria Copa do Mundo. Como nessas épocas há mais atrasos, os passageiros costumam utilizar mais serviços de hospedagem.
11/06/2014
http://www.dci.com.br/servicos/apos-aeroportos,-disputa-chega-aos-hoteis-id400356.html